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Dicas de leitura para voltar das férias ainda mais consciente

Na busca pela igualdade racial devemos sempre focar na constante busca pelo conhecimento, abertura para o diálogo e acolhimento das diferenças. A luta contra as tentativas de diminuir, agredir e menosprezar alguém, seja quem for, deve ser constante. Mudar hábitos, palavreados e costumes pode parecer complicado, mas todos precisamos dar os primeiros passos.
Para participar da batalha anti-preconceitos, é essencial dar voz para as pessoas afetadas, ouvir o que elas pensam, como se sentem, dar valor para seus movimentos e estudar. Por isso, por indicação do Grupo de Famílias Antirracistas de nossa comunidade, trouxemos 8 dicas de livros incríveis de autores pretos,  que debatem assuntos extremamente importantes, para ler com toda a família e se tornar uma pessoa cada vez mais consciente!

  • “Lélia Gonzalez”, de Alex Ratts e Flavia Rios, 2010

Essa obra conta sobre a trajetória de vida, a produção intelectual e o ativismo político de uma das maiores lideranças do movimento negro brasileiro do século XX: a Lélia Gonzales. Através da biografia, os autores revelam a construção de identidade coletiva de segmentos excluídos da política nacional, como os negros e as mulheres. O livro faz parte da coleção Retratos do Brasil Negro, Selo Negro Edições.
“Este é um livro que não teria chegado às minhas mãos se não fosse pelo grupo de leitura e gostei muito de ter lido! Curto e de leitura rápida, traça um relato contundente da vida de Lélia. Lélia foi precursora na denúncia dos “processos de branqueamento da sociedade brasileira, sem deixar de interseccionar marcadores de  gênero, raça, religião e classe” (Enciclopédia Negra)”, conta Juana Kweitel, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe do Francisco, aluno do 6ºB.
“Foi também quem cunhou o termo pretuguês (ela diz “nosso português não é português é pretuguês”). Sonho com um encontro dela com a Grada Kilomba, que também fala do impacto da língua na forma em que pensamos e na consolidação do racismo no mundo do conhecimento”.

  • “Amoras”, do Emicida, 2018

“Amoras”, originalmente, é uma música de  um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade: o Emicida. E é a partir desse rap que ele criou seu primeiro livro infantil; em que mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos, desde criança e para sempre.
“Um livro lindamente ilustrado e recheado de referências religiosas, culturais e históricas, além do enaltecimento da negritude. Lendo, ensinamos e também aprendemos, como diz o próprio autor”, conta Juliana Masselli Castro Garcia, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe do Gael, da T4A.
“Amoras traz representatividade e também um olhar de admiração por uma cultura que foi silenciada. Pelas suas páginas temos a oportunidade de conhecê-la e também de apresentá-la para nossos filhos.”

  • “Pequeno Manual Antirracista”, da Djamila Ribeiro, 2019

Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.
“Didático, de fácil leitura e bastante sucinto, o livro apresenta distintas esferas da vida em que podemos encontrar traços do racismo e para cada uma delas há um convite a ação, com sugestões bem práticas. O racismo estrutural, que para muitos passa despercebido na vida cotidiana, se reproduz diante do silêncio e da ausência de ações. Por isso ‘não basta não ser racista, é necessário ser antirracista’”, disse Paulo Resende, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e pai do Eloy, do 6ºA.
“Para combater o racismo se faz necessário valorizar a negritude, falar abertamente sobre como as negras e negros podem ser melhor reconhecidos, apoiar e tomar ações necessárias para desmontar todas as formas de hierarquização racial em todos os lugares”.

  1. “O mundo no Black Power de Tayó”, da Kiusan de Oliveira, 2013

Tayó é uma menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A personagem é cheia de autoestima, e capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe, que dizem que seu cabelo é “ruim”. Mas como pode ser ruim um cabelo “fofo, lindo e cheiroso”? Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó em uma metáfora para a riqueza cultural de um povo e, claro, da imaginação de uma menininha tão sábia.
“O mundo no Black Power de Tayó é um livro infantil delicado e forte ao mesmo tempo. A autora Kiusan de Oliveira traz sempre o protagonismo negro em seus livros para crianças. Neste, a personagem principal é Tayó, que significa “da alegria” em iorubá. Uma mensagem linda de valorização e potência da negritude e de sua ancestralidade”, contou Maria Fernanda, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe da Lorena, do 1ºC.
“É um livro para todas as crianças, com textos curtos e imagens coloridas e maravilhosas”. 

  • “O Quarto de Despejo”, da Carolina Maria de Jesus, 2019

O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem a esta obra, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.
“O livro é construído a partir de fragmentos cotidianos feitos durante a década de 50 pela própria autora, mulher negra, periférica e mãe-solo, sustentando seus três filhos trabalhando como catadora de papel”, disse Caroline Avilez, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe da Helena, do 3ºB, e da Sofia, da T5.
“Carolina traz em seu diário a dura realidade de uma mulher negra vivendo a invisibilidade social na favela, ainda que tratando a sua maneira e com muita propriedade, assuntos como política, economia, saúde pública e como amar e descobrir beleza no mundo diante de uma vida tão difícil.”

  1. “Quando me descobri negra”, da Bianca Santana, 2015

“Tenho 30 anos, mas sou negra há dez. Antes, era morena.” É com essa afirmação que Bianca Santana inicia uma série de relatos sobre experiências pessoais ou ouvidas de outras mulheres e homens negros. Com uma escrita ágil e visceral, denuncia com lucidez – e sem as armadilhas do discurso do ódio – nosso racismo velado de cada dia, bem brasileiro, de alisamentos no cabelo, opressão policial e profissões subjugadas.
“No livro, Bianca Santana narra não somente episódios de sua vida, relatando como apenas depois de adulta se descobriu negra mas episódios de racismo, seja aquele escancarado que nos dá nojo ou  aquele estrutural que são acometidos no dia a dia, por qualquer um de nós…”, contou Ana Paula Esotico, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe do Bento, da T4, e do Pedro, do 1ºA.
Em nossa reunião mensal, via Meet, tivemos a oportunidade de ouvir e conversar com a própria Bianca, entendendo como foi o processo de escuta deste livro. Ela me mostrou que o racismo está no nosso dia a dia e é também meu papel, como branca privilegiada, combatê-lo. Vale como reflexão pessoal e análise do cotidiano se tornando uma leitura muito necessária em dias como hoje.”

  1. “Torto Arado, do Itamar Vieira Junior”, 2019

Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas ― a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção.
“Torto Arado é um livro sobre a importância de lembrar e de honrar nossas histórias. Duas irmãs negras que crescem ligadas e marcadas por um acidente que transforma suas vidas e suas formas de encarar o mundo. Uma história de trabalhos forçados (análogos à escravidão), de resistência, de sobrevivência e de muita força poética”, disse Ana de Fátima Sousa, integrante do Coletivo Antirracista da Santi e mãe da Flora, do 9ºA.
“A criação premiada de Itamar Vieira Junior é um encontro com a ancestralidade de muitos brasileiros, um encontro com histórias que foram invisibilizadas por tantos séculos”.

  1. “Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis”, da Jarid Arraes, 2017 

A autora Jarid Arraes conta que, antes de chegar a idade adulta, ela nunca tinha ouvido falar de mulheres negras importantes na história ou que lutaram nas batalhas contra a escravidão no Brasil.
Diante disso, durante 4 anos, pesquisou histórias e escreveu, em poesias de cordel, 15 histórias contando sobre verdadeiras heroínas negras brasileiras. Entre elas estão Dandara, Carolina Maria de Jesus, Agontimé, Tia Ciata e várias outras. 

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