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Inovar, por quê?, por Elaine Ruiz

Em 2019, a Santi comemora meio século!

Desde a fundação, nossa identidade foi marcada pela inovação. Lá nos anos 70, quando o movimento das escolas laicas particulares crescia em São Paulo e no Brasil, já éramos uma escola de vanguarda movida pela busca de novos e melhores caminhos para formar alunos competentes, conscientes de si e transformadores sociais. É bem verdade que embora o desejo de inovação não seja tão atual, os movimentos de mudança dentro das escolas nunca estiveram tão eminentes como nos últimos anos. Educadores e profissionais de diversas áreas estão cada vez mais se unindo para pensar em novos caminhos com um esforço genuíno e importante de fazer com que a escola esteja a cada dia mais imbuída de sentido para os jovens do século 21.

As novas tecnologias e as novas gerações trouxeram a necessidade de se repensar com urgência o quecomo e porque ensinar. Michel Serres, em seu livro Polegarzinha (Bertrand Brasil, 2015), aponta para o movimento mais recente das novas tecnologias e da informação na “palma da mão”. As novas mídias criaram uma nova ideia sobre espaço, informação e conhecimento e estão transformando a maneira com que as novas gerações vivem e olham para o mundo. Para estes jovens, as relações pessoais e virtuais são igualmente importantes, os pontos de troca estão espalhados pelo mundo e são acessados a qualquer momento. Dentro desta perspectiva, a lógica de limitação geográfica é outra, os conceitos de tempo e memória são diferentes, além de estudos mostrarem que estas mudanças são capazes de gerar novas sinapses no cérebro.

Neste novo contexto, não há como a escola permanecer como sempre foi. Crianças e jovens já não se adaptam mais às antigas metodologias e o ambiente escolar deve ser constituído de novos sentidos. Além disso, eles precisam aprender competências que os ajudem a viver bem num mundo em constante transformação.

Se por um lado, a Santi se especializou em ensinar com sentido e possibilitar com que nossos alunos realmente aprendam, continuamos criando novas formas de manter o aluno engajado, desenvolvendo sua capacidade crítica, habilidades analíticas e competências socioemocionais, desde a Educação Infantil. As mudanças que se aproximam em decorrência de inovações como inteligência artificial, internet das coisas e big data, demandam cada vez mais uma formação para além dos conteúdos e áreas já conhecidas, uma vez que as crianças e jovens de hoje serão convidados a lidar com uma realidade ainda mais diferente e disruptiva na vida adulta.

Foi pensando nisso que, depois de estudos e pesquisas, em 2016 iniciamos o processo deinovação do currículo obrigatório do Ensino Fundamental 2. A primeira ação foi na área de Artes, com a ampliação das linguagens – artes visuais, música e teatro – em que os alunos vivenciam a aprendizagem baseada em projetos, a cada trimestre escolhem a área de estudo e frequentam turmas com diversidade de idades.

No ano seguinte, 2017, acrescentamos o Currículo 21 – uma proposta inovadora cujo objetivo é garantir o desenvolvimento das competências fundamentais para a atualidade. Além das competências cognitivas – pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação oral e escrita, busca de informação, dentre outras -, o novo currículo visa desenvolver também as competências interpessoais e intrapessoais.

No currículo 21, as alunas e alunos da Santi percorrem então uma trilha do 6° ao 9° ano, que começa com um curso de Procedimentos de estudo, visando potencializar sua autonomia para estudar e continuar aprendendo. Em seguida, no 7° ano, eles participam de um curso de Mindfulness (meditação) com uma educadora certificada pela Mindful School, dos EUA, e seguem com encontros de aprofundamento do Projeto Convivência, no intuito de aprender e praticar competências sociomocionais. Com encontros semanais, as propostas provocam o exercício da escuta ativa, trabalho em rede, diálogo, resiliência, resolução de conflitos, cooperação e comunicação.

Já no 8° ano, o curso é parcialmente bilíngue e dividido em duas frentes: sustentabilidade, com o projeto Garbology, que incita reflexões importantes sobre consumo, geração de resíduos e impactos no meio ambiente, e Games & Coding, em que aprendem a linguagem de programação, essencial para a alfabetização digital. Por fim, o curso de Design Thinking – Lab de projetos, no 9° ano, possibilita que os jovens proponham soluções para problemas reais por meio desta abordagem que aprofunda conceitos como empatia, definição, ideação, prototipagem e testes. Para isso eles elaboram planos de ação, mapas conceituais e de empatia.

Ao final do primeiro ano de implantação do Currículo 21, a pesquisa com os alunos nos mostrou que em média 85% se identificam com o curso, 77% percebem que as novas aprendizagens estão fazendo diferença em suas vidas e 75% usam o que aprendem em diferentes contextos. Para nós, esses primeiros números apontam para um futuro promissor e nos motivam a continuar inovando e qualificando o que vem sendo realizado.

Com essas e outras ações, a Santi vem cumprindo a sua missão de formar pessoas capazes de atuar com consciência, autonomia, responsabilidade e respeito, a partir da aprendizagem de conceitos, atitudes e procedimentos, numa perspectiva colaborativa, sustentável e de transformação social.

Escrito por Elaine Ruiz, diretora pedagógica do 3° ao 9° ano da Escola Santi

 

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